sábado, 11 de julho de 2026

Sabe de onde surgiu o tarot?


Todos pensam que o Tarô é um método adivinhatório capaz de prever o futuro e indicar os caminhos da vida. Porém, ele vai muito além disso. Antes de entendermos suas finalidades e como ele pode ser utilizado, vale a pena conhecer a sua história.

Tudo começou entre os séculos XIV e XV, período em que os jogos de cartas se popularizaram pela Europa. Foi nesse contexto que, por volta de 1450, surgiu na cidade de Milão, na Itália, um luxuoso baralho conhecido hoje como Visconti-Sforza, produzido para a nobre família que governava o ducado.

O jogo possuía cartas ilustradas com figuras alegóricas chamadas Trionfi ("Triunfos"), que mais tarde passariam a ser conhecidas como os Arcanos Maiores. Inicialmente, essas cartas tinham finalidade recreativa e eram símbolo de prestígio entre a nobreza. Com o passar do tempo, o jogo se espalhou por toda a Itália e, posteriormente, por outros países da Europa.

Foi apenas no século XVIII que estudiosos e ocultistas franceses passaram a enxergar naquele baralho muito mais do que um simples jogo. A partir desse período, o Tarô começou a ser associado ao simbolismo, ao hermetismo, à alquimia e a outras correntes esotéricas. As cartas passaram a ser interpretadas como um instrumento capaz de auxiliar o ser humano na compreensão de seus desafios, conflitos e escolhas, tornando-se uma espécie de guia para a reflexão e o autoconhecimento.

Ao longo dos séculos, o Tarô continuou evoluindo. Seu maior marco aconteceu no início do século XX, quando Arthur Edward Waite, em parceria com a artista Pamela Colman Smith, criou o famoso Rider-Waite-Smith Tarot. Pela primeira vez, também os Arcanos Menores receberam ilustrações completas e ricas em simbolismo, facilitando a interpretação das cartas e influenciando praticamente todos os baralhos modernos.

Desde então, o Tarô consolidou seu espaço como um dos oráculos mais conhecidos do mundo, sendo utilizado não apenas como ferramenta divinatória, mas também como um instrumento de autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e reflexão sobre os diferentes ciclos da vida.

Mas qual é a sua real função?

Se durante séculos o Tarô foi visto apenas como um jogo e, posteriormente, como um oráculo, hoje ele também pode ser compreendido sob uma perspectiva psicológica.

No século XX, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, fundador da Psicologia Analítica, desenvolveu a teoria dos arquétipos: padrões universais presentes no inconsciente coletivo que se manifestam em sonhos, mitos, religiões e símbolos de diferentes culturas.

Embora Jung nunca tenha escrito uma obra exclusivamente sobre o Tarô, ele reconhecia o valor dos símbolos como instrumentos capazes de revelar conteúdos do inconsciente. Muitos estudiosos observaram que os Arcanos Maiores representam esses arquétipos de maneira surpreendente. O Louco simboliza o início da jornada; o Mago, o potencial criador; a Imperatriz, a fertilidade e a abundância; o Eremita, a busca pelo conhecimento interior; e a Morte representa o fim de um ciclo e o início de uma transformação.

Sob essa ótica, o Tarô deixa de ser apenas um instrumento para buscar respostas sobre o futuro. Ele passa a ser uma linguagem simbólica que favorece o autoconhecimento, permitindo que cada pessoa compreenda melhor seus conflitos, seus medos, suas potencialidades e os caminhos que pode escolher.

O Tarô surge como um amigo que acolhe, orienta, esclarece e ilumina caminhos diante das questões do cotidiano. Não existe para satisfazer curiosidades sobre a vida alheia, prometer riquezas ou revelar supostas traições amorosas. Sua verdadeira função é oferecer clareza, ampliar a percepção e auxiliar na tomada de decisões diante dos desafios da vida.

É como uma bússola quando nos sentimos perdidos. É como um mapa que revela caminhos que ainda não conseguimos enxergar. É o feedback necessário para reconhecermos nossos acertos, nossas limitações e aquilo que precisamos transformar. É semelhante ao conselho de uma mãe que, movida pela experiência e pela intuição, percebe perigos que ainda não conseguimos ver e nos orienta sobre a melhor forma de enfrentá-los.

Por isso, o Tarô dificilmente oferece respostas prontas. Suas mensagens exigem reflexão, maturidade e tempo para serem compreendidas. As cartas convidam o consulente a observar a própria realidade sob uma nova perspectiva, encontrando dentro de si respostas que, muitas vezes, já existiam, mas estavam ocultas pelo medo, pela ansiedade ou pelas circunstâncias da vida.

Quando as cartas são lançadas, não devemos nos prender apenas aos significados tradicionais transmitidos ao longo dos séculos. A verdadeira interpretação nasce da união entre o conhecimento, a intuição e a sensibilidade do tarólogo. Cada imagem comunica algo: os pássaros, as montanhas, os bastões, as moedas, os cálices, as nuvens, as espadas, as cores e todos os demais elementos presentes nas cartas carregam mensagens que dialogam entre si. É justamente essa riqueza simbólica que faz com que cada leitura seja única, pois as cartas não contam apenas uma história: elas refletem a história de quem está diante delas.

Se toda essa jornada histórica e simbólica despertou em você a vontade de buscar suas próprias respostas, o convite está feito. Preparei um espaço muito especial no meu site onde você pode dar o primeiro passo nesse caminho de autoconhecimento. Acesse o meu Tarô Virtual e permita que as cartas ajudem a clarear os seus pensamentos e sentimentos do momento. Respire fundo, mentalize a sua questão com calma e venha descobrir os conselhos que aguardam por você. O oráculo está de portas abertas.


Fontes: Avenutas na História, Darkside, Instituto Jungiano de Ensino e Pesquisa