quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Rei de Copas no Catete: A Alma de Getúlio Vargas Entre a História e o Tarot

A história do Brasil é fascinante. Tem muita gente que não gosta de ler, ouvir ou saber sobre o nosso passado — os próprios filhos desta nação, inclusive. Mas, desde criança, sempre fui fascinado por descobrir como era o nosso mundo em outras épocas. Sou um apaixonado por memórias e (vira e mexe) me pego vasculhando os acervos da Hemeroteca Digital e da Biblioteca Nacional, ou simplesmente admirando as belas imagens da Brasiliana Fotográfica.

Foi numa dessas navegações pelas linhas do passado que me peguei lendo a Revista Manchete, datada de 28 de agosto de 1954, que trazia toda a cobertura da morte do então presidente Getúlio Vargas. Ali, por meio das matérias, consegui compreender tudo o que aconteceu para que Vargas cometesse aquele ato que, como diziam as publicações, "pôs termo à sua vida".

Conforme relatado pela Manchete, tudo explodiu com o atentado da rua Toneleros. O alvo era o jornalista Carlos Lacerda, mas quem morreu foi o Major Rubens Vaz. A tragédia virou uma crise militar insustentável quando descobriram que o mandante era Gregório Fortunato, o chefe da guarda pessoal do presidente. De repente, Vargas se viu cercado por um mar de lama, cobrado por generais, e percebeu que havia perdido o apoio das Forças Armadas por causa de pessoas de sua própria intimidade.

Lendo as reportagens, me veio a curiosidade de saber, através da energia das cartas do Tarot, quem de fato era Getúlio Vargas fora dos holofotes políticos, em sua essência como pessoa.

Carlos Lacerda - Foto: Arquivo Nacional
As cartas me mostraram o Rei de Copas, aquele senhor de berço de ouro que dominava a arte de mexer com os corações das massas. Ele tinha um coração bondoso, mas o Três de Espadas deixou claro: morreu sentindo a dor imensa da decepção e de ter sido traído pelo núcleo em que mais confiava. Essa solidão no Palácio do Catete foi crucial. O Oito de Paus revelou que Getúlio tinha uma cabeça acelerada e ágil. Ele não agia simplesmente sem pensar; porém, quando sentenciou o suicídio dentro da própria mente, fechou-se para o mundo. Ele teve dias para repensar e mudar o rumo das coisas, mas foi incisivo e teimoso. Dispensou conselhos e agiu com um pensamento firme, executando o seu fim e encerrando sua vida — que passou por aqui como um verdadeiro cometa, apenas para cumprir seus karmas políticos.

E hoje, mais de 70 anos depois, como está o espírito de Getúlio Vargas? As cartas de O Diabo e do Sete de Ouros me revelam que ele ainda está no plano espiritual, construindo sua jornada e trabalhando os sentimentos e as mágoas que o amarram. Ele não se curou totalmente das traições, mas a carta de O Papa mostra que ele está se organizando para voltar à Terra. Quando retornar pelo Ás de Paus, assumindo a jornada de O Louco, virá com a missão kármica de curar esses ressentimentos. Eu o vejo como alguém que ainda vai chegar com aquele espírito marrentinho, mas com a missão de entender que, às vezes, o tempo é o remédio necessário para tudo. Ele precisará aprender que parar, em alguns momentos, é a única alternativa, e que sair de cena não é perder, mas sim deixar um caminho fechado para viver algo novo e muito melhor.